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Mostrando postagens de 2013

Ainda não acredito que acabou

Não precisa ser meu amigo pra saber que esse ano de vestibular foi um Deus nos acuda. Depois de ter passado por milagre na primeira fase, ainda tinha a segunda, que seria discursiva. Ou seja: Deus nos acuda, inferno na terra, pesadelos etc.
Como eu sempre deixo tudo pra cima da hora, é claro que só comecei a estudar em Outubro, pra uma prova que seria dia primeiro de Dezembro. Resultado: dois meses acordando às 7h, me sentindo culpada pelos dias de ócio que resolvi me dar, lendo Crepúsculo e assistindo seriados. Tive aulas particulares nesses dois meses, dentro da própria UERJ, e, olha: que amor. Cresceu, multiplicou, e eu já não pensava mais na UFRJ depois da primeira aula. UFF, então, nem pensar. Se eu já levava duas horas pra ir até o Maracanã, imagine o tempo que eu levaria até Niterói.
Assim o tempo passou, muito medo, vivendo perigosamente, pagando boletos na prorrogação e levando a documentação das cotas no último dia. Tudo com muita emoção. 
História, História, História, e só na …
A ansiedade da vida adulta começa a pesar nos ombros. Sinto falta de ter um dia dedicado ao ócio, sem sentir peso na consciência por alguma obrigação que deixei de cumprir.
As pessoas passam por mim com tanta pressa. Tantos sorrisos cansados. Me preocupo com elas - e comigo. Porque, talvez, eu seja assim daqui a dois, três anos. E rivotril. 
Gosto da casa silenciosa, de conseguir ouvir os ponteiros do relógio da cozinha. Mas, se fico sozinha por tempo demais, já começo a me sentir triste e cansada.
Eu vivo cansada. E talvez essa seja a maior verdade dita sobre mim nesses últimos tempos.

Raissa, Si, Chu, Princesa

Eu queria ser daquelas pessoas que sabem dizer lindos desejos de parabéns, felicidades e blábláblá, mas não sou. Queria poder te prometer um mundo de felicidades e sonhos, mas eu sou só um barquinho com um binóculo, não posso. E queria te dar um abraço eterno e firme, como um coala. Já é o quarto aniversário que passamos juntas. Não sei se isso significa alguma coisa, mas eu quis dizer, por uma questão de honra aos números.
Não sei o que mais desejar, além da sua presença na minha vida - que, apesar de pequenininha, tem uma importância gigante.
Parabéns, Chu! :)
Eu te amo, eu te amo, eu te amo. Parece um mantra, mas não parece mentira.

And it's called happiness.

Eu tinha que ter dormido mais cedo. Mais de 1h e eu estava assistindo Crepúsculo, conversando no Facebook e ligando cinco alarmes: 6h20min e um a cada dois minutos. Acordei num calor que não cabia em mim, desisti de fazer o cabelo na hora. Eu não ganharia nem um pontinho por aparecer linda e estonteante numa sala com vinte e cinco pessoas nervosas e sonolentas. Me entupi de café.
Sentei na cadeira e orei. Se eu não me ajudei, estudando, que Deus me ajudasse, num lindo ato de misericórdia. Fiz a prova com uma calma nunca vista em vestibulares anteriores. Três horas de prova, gabarito em mãos, celular fora do saquinho. Tudo certinho, moça. Boa tarde.
Ligo pro táxi (que bairrozinho mais deserto, vou te contar), espero num sol de rachar. E eu ainda pensei em sair de casaquinho. Chego em casa, tento pensar em outras coisas. Na casa muito bagunçada, quem sabe? Duas e quinze, gabarito postado.
Dez acertos. Quinze acertos. Vinte acertos. Meu Deus, faltam só cinco pra pontuação mínima e ainda tô …

A chave

Era uma cidade forte. Muralhas, guardas, armadilhas e muitos soldados. A cidade ficava dentro do peito, mantida em segurança, impenetrável. O maior inimigo nunca passou da terceira porta.
Lá fora, bem no fundo da floresta, havia uma pequena caixa de madeira com uma chave de ouro. Era a chave da cidade. Abria o peito, as portas, desarmava as armadilhas, fazia sumir os guardas.
No topo da fortaleza, havia uma menina. Desde que descobriu o segredo da caixa, sua existência e seus segredos, vigiava sua cidade pela sacada, todos os dias, a espera de um príncipe valente que enfrentasse a floresta e seus perigos para lutar pela caixa. E por ela.
Mais um pôr-do-sol. O príncipe não apareceu. 
Mas ele viria, ela sabia. Um dia.

Only happy when it rains

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Fonte
Eu sempre fico feliz quando chove. Gosto do barulho da chuva no telhado do vizinho, de olhar pela janela e ver toda aquela água, do cheirinho de terra do quintal de trás, das bananeiras molhadas, de andar de meia pela casa, beber leite quente e me enrolar no edredom feito um bichinho felpudo.
Gosto da chuva porque parece o céu chorando. E como eu gosto de chorar! Porque parece que o céu tá desabafando anos de tristeza contida, sapos engolidos e paixões perdidas. 
Gosto da chuva porque o céu fica mais sensível e perto de mim.

Quando eu deixar de amar

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Não sei o que vai acontecer comigo no dia em que eu deixar de amar e perder a esperança na vida. Tudo já tem sido tão difícil com amor, que não posso imaginar a sequência de destruição que a falta dele é capaz de fazer.
Tenho me sentido meio seca nesses últimos dias. Quem pode me enviar amor pelos correios?

Eu não quero

Igreja pequena Onde Deus falava O poder caía e a sua igreja 
Jesus visitava...
Sei que você mandou, mas eu não quero. Não quero voltar. É a minha casa, eu sei, é como se eu ainda pertencesse, mas estou tão diferente agora. Meus pensamentos e minhas manias não cabem mais. Meus gostos, minhas atividades, minhas palavras. Tudo mudou. Mudei.
Poxa, Deus, que sacanagem.

Quase médica

Tenho preguiça de ficar bem. Estou gripada há dias e não tomei um comprimido sequer. Espirrando e sentindo cheiro de sinusite.
Ir ao médico me dá preguiça. Fico achando que vou entrar no consultório e ele vai me diagnosticar com algum tipo de doença terminal. E, olha, só tenho mais uma semana de vida! Não. Definitivamente, não. O único tratamento que concluí, em toda a minha vida, foi o da gastrite. Completei todo o processo: consulta, exame, avaliação do exame, medicação. Fiquei orgulhosa de mim mesma, mas, até hoje, não tenho muita disposição de repetir a experiência.
Dor de cabeça? Advil. Gripe? Cimegripe. Febre? Paracetamol e banho gelado. Enjôo? Soro caseiro. Dor no corpo? Doril. Tenho minha própria farmácia em casa. Sou quase uma espécie de curandeira.
Hoje, não, seu doutor. Hoje, não.

Velha e louca

Me faço de durona, mas paro para conversar com velhinhos na rua, sento na mesa pra tomar café com meu pai e, quando percebo, já é meio-dia e ainda estamos conversando. Participo de campeonatos de baralho com meu tio, enquanto sorrio, pergunto o que ele quer ouvir e encho meu Chrome com abas de Beatles.
Outro dia eu estava na fila do ônibus e uma senhorinha me abordou.
- Oi, você é sobrinha do Seu João, não é? - Ah, oi.. Sim, sou eu. - Ah, eu lembro de quando você andava de bicicleta com ele por aí. (na garupa, obviamente, já que não sei andar.) - Ah, sou eu, mesma! hahaha
E ficamos conversando por uns bons vinte minutos até nosso ônibus chegar. Me faço de durona, mas sou essa simpática da fila do ônibus e uma companhia agradável para os velhinhos. Eu nunca dei bola para a minha irmã mais velha, dizendo que pareço uma velha. Mas, escrevendo assim, até que ela tem razão.

Tem gente

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Tem gente que faz a gente rir. Rir do nada, rir por nada, por tudo; ficar com a boca doendo de tanto rir. Tem gente que gosto de ver os olhos puxados na foto, ao lado dos meus. Tem gente que tem cada história que a vontade que dá é pôr no colo e fazer esquecer. Tem gente que tem a risada gostosa. Tem gente que ouço a voz do outro lado da rua. Tem gente que não assume que eu descobri o Desafio todinho. Tem gente que se perde comigo em senhas e balcões. Tem gente cujo celular não para de vibrar. Tem gente que ALÔ, QUEM VAI TIRAR UMA FOTO NOSSA? Tem gente que "Rute, sua blusa é clarinha. Vai sensualizar nessa chuva." Tem gente que não tem amor à Obra. Tem gente que é fofa e não gosta de falar mal dos outros. Tem gente que diz que vou perder o ônibus se continuar passeando, mas mal sabe que fico cega sem os óculos e com tantos faróis na minha frente. Tem gente que me faz ter vontade de enganar o relógio, pra ficar junto mais tempo. Tem gente que não dá pra dizer que é gente de i…

Minha vida misteriosa

Era uma vez..  Sou Rute desde que me conheci. A inteligentinha tímida da professora, a irmã caçula docinha, a amiga dedicada. Às vezes sinto raiva por eu ser tão eu mesma o tempo todo. Sei lá, eu poderia ser meio Angelina Jolie de corpo, alma e bolso, não seria má ideia. 
Me surpreendi quando a Ju e o Fagundes disseram que sou uma chata e que não compartilho minha vida na internet. Logo eu, que sempre falei absolutamente tudo sobre mim. Descobri que não sei o que contar. Eu até poderia fazer uma lista, mas ninguém aguentaria chegar no item vinte. 
O que eu posso dizer? Gosto de viajar, inglês, música, chuva, mar (Arpoador <3). Sou hipersensível, na minha. Quando cismo, viro o burro falante.
Viram como é esquisito? Não dá pra fazer uma lista "quem sou eu", porque eu sou, simplesmente. Vivo sendo o tempo todo. Se eu parar pra pensar em tudo, vou deixar de ser. E ficar divagando.
O meu mundo é meio complicado. Nem eu mesma consigo ficar nele por muito tempo. Mas de uma coisa eu …

Salvem a professorinha!

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Era uma vez uma menina. Ela sonhava em ser professora. Certo dia, matriculou-se numa Escola Normal e esperou. Por obra do destino, houve um erro em sua matrícula e ela ficou sem escola. A pobre menina ficou muito triste, pois seu grande sonho era estar numa sala, cercada de crianças, ensinando. Passou dois dias ao telefone, que só dava ocupado, tentando matricular-se em outra escola. Ao fim do segundo dia, conseguiu a matrícula, porém, não para o Curso Normal. A menina, já bem triste, cursou a primeira semana de aula, sabendo que não era ali que queria estar. O Destino, aquele mau caráter do começo da história, resolveu se redimir. A menina foi acompanhar uma amiga à Direção, e falou ao diretor que seu sonho era ser professora, e seus colegas de classe, muito mais velhos, faziam muita bagunça e barulho, e ela se sentia prejudicada, e foi nesse momento em que o Destino moveu os seus pauzinhos, e, no dia seguinte, a menina foi transferida para o Curso Normal. O Destino ficou contente em …

"Amigos? Sim, por favor."

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Acho que Charles Dickens escreveu essa frase numa espécie de visão do nosso futuro. Ter amigos é ser recebida por um cair de ombros desanimado, aceitar ser guiada por quem também não conhece o caminho, levar uma vida dentro de um ônibus, andar 5km, faminta, e voltar os mesmos 5km na mesma hora, ser mimada com queijo, doce e livro (emprestado, ok), falar mal dos outros - e gostar disso! -  rir de quem anda na areia da praia de tênis - e gargalhar quando essa pessoa é alcançada pela onda e pede arrego -, ter com quem dividir o Arpoador, meu lugar preferido no mundo, virar modelo no Caribe, ter em quem apoiar no metrô pra não cair, e, acima de tudo isso, entrar num mundo paralelo e querer reviver cada segundo novamente.




















A beleza de ter amigos de Deus é que, não importa onde ou como, Eles sempre me fazem agradecer secretamente a Ele pela presença, amizade, pelos sorrisos e pelas lembranças.
... mas, olha, vocês são testemunhas: o Fagundes me trocou pela menina da Intríseca. :)

Feita de amor

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Fiquei espantada quando, lavando o banheiro, dei por mim: então é isso o problema! Eu tenho amor demais.    O problema de não saber dizer não é porque amo demais quem vai ouvir. De adiar compromissos, porque amo demais ficar à toa (e reclamo bastante por estar assim). De gastar rios de dinheiro numa passagem aérea + multa, porque amo muito o fato de ter mais vinte e quatro horas de companhias queridas. De ligar para o ex que deveria ter sido esquecido num sábado à tarde, porque ele tem uma risada deliciosa. De fazer um pacto louco com o melhor amigo, porque o laço criado dispensa explicações. De passar um fim de semana inteirinho fazendo mudança e morrendo de cansaço, porque a irmã a quem se ajuda é a melhor que alguém poderia ter.    Certo dia, ouvi uma senhora, com a qual nunca conversei muito, dizer que eu exalava amor. Na hora, eu achei bonito, mas não entendi muito bem o que aquilo significava, e fui me sentindo como uma rosa ou algo assim. Depois é que pensei mais um pouquin…