Giros

Nunca pensei que escreveria um post daqui. Com um casaco e a chuva batendo na janela. Com uma aliança no dedo anelar esquerdo, que seis meses atrás não era prevista. No plantão de um novo trabalho, às dez da manhã de um domingo.

Foi assim que 2016 terminou: nos últimos quinze dias do ano, a notícia bombástica de que a empresa do meu então namorado estava de mudança. De estado. Para Florianópolis. No início de 2017. Cada parte da notícia era como um tijolinho desmoronando em cima da minha cabeça.

Os dias seguintes foram um misto de alegria, desespero e medo. Conversas com amigos, conselhos, decisões. Nós, que sempre pensamos secretamente em nos mudar de cidade, talvez estado, estávamos com um sonho no colo, pedindo pra ser ninado e cuidado. O casamento que estava começando a ser planejado para 2019, se viu nascer como um sopro.

Decisão tomada.

Começamos a planejar a festa de casamento, transferência da minha faculdade, casa pra alugar, passagens de avião e outras mil e uma coisas que eu nem sabia que existiam, mas que precisavam ser compradas, feitas, programadas.

A data inicial era Julho. Seis meses pra planejar tudo isso não parecia ser tão sufocante. Mas é a minha vida, né? Estava muito estranho eu não precisar ficar desesperada com o deadline. 

Meu contrato de estágio encerraria no final de março, algum tempo antes da mudança, a faculdade ainda estava em greve, ou seja: tempo livre pra cuidar do que precisava.

Risos.

Em fevereiro, marido (pois aqui no futuro já é! haha) recebeu uma promoção no trabalho pela mudança. Eu ganhei uma proposta de emprego na mesma empresa, pra ir junto com ele. Sendo março o mês de aniversário da empresa, com uma demanda grande de serviço, foi decretado o início do meu desespero: nós teríamos que nos mudar ainda em março - após alguns sustos e outras datas prováveis, indicadas pela Gerência a cada cinco dias (início de abril, final de maio..).

"MAS, RUTE, NÃO ERA JULHO?"

Alguns amigos e familiares chocados e #xatiados depois, com uma data oficial pra mudança e pro casamento, aos poucos tudo foi se encaixando.

Lista de convidados: check. Fornecedores: check. Transporte: check.

Vestido de noiva: chec... não.

Um pesadelo chamado vestido de noiva. A perfeita ilustração expectativa x realidade. Não engordei, gastei rios de dinheiro numa renda linda. Tinha um modelo simples, mas muito elegante. Fiz a prova final na semana do casamento e eis que encontrei uma CAMISOLA no lugar do que era pra ser meu lindo e maravilhoso vestido bem branco e elegante.

Quis chorar, quis matar a costureira, chorei calada e REVIRAVOLTA: ganhei um vestido de presente! hahahahaha

Casar sem emoção não é casar, né? Troquei de vestido três dias antes do casamento.

Resumidamente, foi isso. Os meses mais agitados da minha vida, com os maiores momentos de estresse e borboletas no estômago ao mesmo tempo.

Nossa cerimônia foi incrível. Marido planejou escondido cada detalhe, ensaiou pessoalmente a banda maravilhosa que tocou cada uma das músicas que mais marcaram o nosso namoro tão musical.

Nossos amigos mais próximos estavam todos ali. Os de perto, os de longe, os de longa data... Tanta gente querida compartilhando daquele momento me deixou com o coração quentinho. Obrigada a todos os envolvidos!

Como não choveu, conseguimos fazer tudo na área externa, e... *suspiros*


É bom olhar pra trás e ver o caminho que percorremos até aqui. Andar nessa cidade bonita, onde tudo é novo pra nós dois, ir conhecendo aos pouquinhos todo esse futuro que nos espera, tem me dado uma paz enorme.

A paz de quem ama.
A paz de quem está exatamente onde quer estar.
A paz de quem acorda todos os dias e tem a mesma sensação: ainda bem que eu tenho você!




Comentários

  1. eu tinha lido e comentado mentalmente, agora voltei só pra dizer:

    muito plot twist, muita emoção, festa ótima.
    que bom que você tá feliz, meu bem!

    Davi arrasou no repertório do casamento. Essa música é linda!

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  2. só agora li esse post delicinha. contando de trás para frente parece fácil, né? hahaha

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